sábado, 3 de fevereiro de 2018

Tudo tem seu tempo

Para mim a vida sempre foi um grande processo e com o passar do tempo acabo tendo cada vez mais certeza disso.

Entretanto, viver (como todo processo longo) pode ser algo muito doloroso, afinal, somos bombardeados diariamente por críticas, expectativas e ideais muitas vezes não condizentes com nossos anseios e esperanças para nossa própria existência.

Com o avançar da tecnologia, este "bombardeio" se tornou ainda pior, pois o fácil acesso a um número enorme de informações e a comunicação simplificada entre as pessoas nos faz ver o que "é bonito e direito para o mundo" e "o que não é".
De 2008 pra cá, muita coisa mudou

Não raro vemos milhares de adolescentes sofrerem em excesso por causas fora de seu controle, afinal, nem toda menina vai ter um "corpo de panicat" e nem todo rapaz vai ter uma "barriga tanquinho" e isso é absolutamente normal, principalmente nas fases iniciais de nossas vidas.
O maior problema dessas as imposições sociais é fazer muitas/os adolescentes virarem adultos complexados com a própria aparência, na maioria das vezes, inclusive, sem qualquer razão para isso.

Nosso corpo está em permanente transformação e aceitar as peculiaridades de cada época de nossas vidas é algo vital não só à nossa saúde física como à saúde mental e entender esse processo de transição é o grande desafio de nossas vidas, pois ao não se render à ansiedade de ser aquilo que (ainda) não se é, cria-se a possibilidade de compreender melhor seu próprio corpo e fazer apenas aquilo que lhe faz bem e lhe deixa feliz.

domingo, 23 de julho de 2017

O calçado do outro

Não, você não sabe o que eu passei, pode até ter uma vaga noção, mas definitivamente você não sabe o que aconteceu durante a minha vida.
Sempre que me olhar, vai ter uma impressão, mas na maioria das vezes ela não vai condizer muito à realidade.

Sim, você saberá algumas coisas da minha vida, algumas porque você estava ao meu lado, outras porque alguém te contou de um jeito e algumas eu mesmo posso te contar.
Mas não, em hipótese alguma você saberá realmente o que já aconteceu e o que está acontecendo na minha vida.

Não preciso que você me analise, nem que me ensine o que é certo ou errado (já que felizmente meu caráter veio de uma excelente educação), isso não lhe compete, nem antes nem no futuro.

Por mais que você ache que sabe tudo da minha caminhada, você precisa entender que isso é impossível, infelizmente você não sabe o porquê de eu fazer algumas coisas que faço e porque eu reajo como reajo a alguns acontecimentos, sendo assim, eu só peço: antes de me julgar (e me condenar) pelas coisas que você sequer sabe, se coloque no meu lugar, calce meus sapatos e ande por onde eu já caminhei, quando você fizer tudo isso, aí sim terá argumentos para pensar algo sobre mim.

E acima de tudo: "na dúvida, pergunte!"

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Exepriência requerida

A principal saudade que eu tenho dos meus 16 ou 17 anos, é que existiam menos desculpas para tudo.

Quer dizer, eu tinha 17 anos e poderia escolher que empresa trabalhar ou qual profissão assumir, bastava enviar um currículo, me portar bem na entrevista e as coisas funcionavam, para praticamente qualquer área.

Isso não quer dizer que eu me considere melhor que os outros ou que eu deva ser contratado de imediato, mas hoje em dia, quando se procura emprego os empregadores já têm na 'ponta da língua' que não estão contratando por causa da crise, que a crise não deixa eles investirem em mais funcionários e outras desculpas.
Sim, eu não sou tão alienado, eu sei que existe uma crise econômica no Brasil e embora eu não esteja aqui para questionar as causas dela, eu gostaria de expor algumas das consequências.

Afinal, nunca tive muito problema para trabalhar, não acredito que nenhuma função - desde que devidamente legalizada - seja ultrajante, afinal, todo trabalho é trabalho, porém, esse 'advento de crise' gerou uma outra crise nas pessoas: a crise de caráter.

Há algum tempo atrás eu vi uma oferta de emprego para uma ação temporária na qual contratavam moças para fazer pipoca e uma das exigências era que a mesma enviasse duas fotos de rosto e de corpo para a empresa, quer dizer, não basta atender bem e saber fazer pipoca, a moça também precisa ser uma modelo para poder assumir a função.
Isso sem contar as diversas vagas para as quais eu me inscrevo e vejo que um dos requisitos dos empregadores é que se tenha domínio de um sistema X ou Y de gerenciamento.

Isso é ridículo, quer dizer, quando o sistema chegou na empresa alguém já tinha experiência com ele?

Ou seja, sob um pretexto de 'querer qualificar a mão de obra' as empresas colocam requisitos absurdos - ou improváveis - e continuam a oferecer remunerações baixas, isso não é 'dar oportunidade', é 'exercer o oportunismo'.

Eu tenho 25 anos, e depois de quase 10 anos atuando em uma mesma área, estava tentando mudar de profissão, mas hoje já estou considerando sorte conseguir uma profissão - em qualquer área que seja - se pra mim está difícil, eu não quero nem imaginar
quem tem mais de 40 ou 50 anos e passou a vida inteira trabalhando em um mesmo de setor de uma empresa.
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