domingo, 3 de junho de 2012

[re]Formando [pre]Conceitos

Um mês e meio afastado do blog mas todo dia tendo ideias de textos, é uma sensação um tanto estranha, até por que meu afastamento não vem de razões muito felizes: pra me ajudar, o meu HD (o mesmo desta postagem) deu problema, ou seja, perdi boa parte dos meus arquivos (inclusive os textos mais antigos) e outra razão é a que me motiva para esta postagem.

Acontece que há uns dias atrás acabei tendo o meu celular roubado no centro de Tubarão, se isso já não fosse incrível, ainda fui roubado por dois "dimenor".
Já comentei o quanto acho injusto o tratamento dado privilegiando os menores infratores, mas não é neste ponto que eu quero enforcar nesse texto, quero tocar num assunto um pouco mais profundo.

Não sei se deu para notar, eu sou negro [momento piada sem graça] e se tem uma coisa que eu sempre aprendi na vida é que eu deveria estudar para ser o melhor que eu pudesse, e assim o faço, sempre tento dar o meu melhor ou ser o melhor, sempre aprendi que a vida para um negro não era fácil.
Pode até parecer drama exagerado, mas não é, se um dia eu me dispus a tentar tirar dez em todos os trabalhos que eu fazia na escola, não foi à toa.
Voltando ao assunto do roubo, meus dois assaltantes, assim como eu, eram negros (em nenhum momento vou discutir ou questionar motivação), mas acontece que naquele momento mais do que o trauma de sofrer uma ameaça e perder um bem material, eu me senti mais ferido ainda por ser assaltado por dois garotos negros (regulando talvez seus 15 ou 16 anos), se fossem brancos seria diferente? Não. Mas acho que seria menos doloroso.

Afinal, por quê doloroso?

Lógico, não sou nenhum expoente da cultura negra nem nada muito próximo, sou apenas um alguém normal tentando conquistar meu espaço por meio do meu esforço, talvez por isso até algumas vezes acabe representando ser um tanto orgulhoso e arrogante.
Sim, tive alguns privilégios que talvez esses garotos não tenham tido, nasci numa boa família, com condições de estudar e tudo o mais, mas tantos outros também o tiveram e preferiram uma 'vida mais fácil'.
Essa situação me deu um sentimento de impotência, me fez quase acreditar que não importa o quanto eu estude, mesmo que um dia eu seja um Mestre, um Doutor eu não vou conseguir tirar essa mancha que persegue a todos com uma origem mais humilde ou que tenham um tom de pele mais escuro.

Não é difícil notar, vivemos num país burramente racista, já que dificilmente existe hoje em dia um brasileiro de origem 100% caucasiana, logo, ter preconceito é uma forma de tentar repudiar uma parte de si mesmo [algo que os brasileiros adoram fazer].
Ou qualquer negro que leia esse texto pode dizer que nunca foi 'perseguido' dentro de uma loja por um vendedor para fiscalizar o que você 'iria roubar' ou que nunca ficou 'engalhado' no quesito "boa aparência" de uma entrevista de emprego?

Até a televisão não me deixa mentir: quantos protagonistas negros você encontra nas novelas que vê todos os dias? Quantos apresentadores negros você vê apresentando programas que não sejam sobre 'cultura negra'?


Não quero dizer que os 'coitados' dos negros são perseguidos, não, esse negócio de vítima não é comigo, só quero mostrar que se não somos capazes de enxergar que debaixo de alguns quilos de pele existem indivíduos absolutamente iguais, jamais seremos capazes de ter orgulho do país que vivemos.
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