terça-feira, 20 de agosto de 2013

A trilogia das cores pt. 3 - Concluindo...

Mas entre todas as coisas o que mais me assusta é a hora de conseguir emprego, felizmente nada do que vou citar aqui aconteceu abertamente comigo, mas ainda assim é como se fosse pois não são raras as vezes em que pessoas negras altamente capacitadas são desqualificadas de processos seletivos apenas por não se encaixar no padrão de 'boa aparência' exigido pela empresa, mesmo que vestindo roupas condizentes com a situação, são preteridos por pessoas com qualificação menor mas que possuem uma aparência mais 'agradável' aos olhos dos clientes (pelo menos é isso que parece.)

Isso sem contar os infindáveis clichês:

"Negro tem de gostar de pagode ou funk, ser bom de futebol e torcer pro Corinthians ou para o Flamengo."

Dos tempos em que acompanhava novelas lembro muito pouco de personagens negras com perfis bem sucedidos e que não possuíssem comportamentos absurdamente excêntricos e/ou caráter duvidoso.

Até mesmo eu já sofri com a questão de personagens (não é segredo para ninguém a minha paixão pelo teatro).

Há algum tempo atrás participei de uma peça na qual minha personagem era um ítalo-brasileiro dos anos 30, e como 'solução' para a minha escolha houve quem sugerisse que eu tivesse o rosto e os braços "pintados de branco" para parecer melhor com um italiano (talvez por a peça se passar nos anos 30 algumas pessoas pensaram que a mentalidade também precisava ser da época).

Acredito que até mesmo na "área sentimental" seja complicado, pois muitas vezes parece que algumas meninas/garotas esperam que em suas vidas entre um príncipe loiro, alto e de olhos azuis que possa lhes fazer feliz (sem preconceito com os mesmos).

Ou será que alguém lembra de algum heroi 'mais moreninho' nas histórias infantis (sendo que o Aladdin não conta).

Não quero que esse texto seja visto como um "desabafo de um coitadinho" e sim como um chamado para que todos possam 'abrir os olhos' e perceber que não existe um padrão de beleza ou comportamento que possa levar em conta apenas a cor da pele das pessoas, a real beleza vem do fato de se ter orgulho de ser quem se é, e o comportamento e o caráter são fruto do que foi aprendido no início e no decorrer da vida, sem qualquer relação com pele ou local de nascimento, pois acredito que não exista nenhum brasileiro que seja 'puro' o suficiente para ter o direito de julgar ou repudiar pessoas apenas por serem negras.

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