terça-feira, 13 de agosto de 2013

A trilogia das cores pt. 2 - O que eu vivi

Quando mais novo, eu acabava me destacando um pouco mais dos colegas por (na época) por desempenhar com menor dificuldade algumas tarefas ligadas à alfabetização e alguns cálculos mais primários (não estou dizendo que eu era um gênio, mas que era curioso o suficiente para aprender um pouco mais rápido) e lembro que algumas pessoas ficavam um tanto admiradas, mas de certa forma, hoje sinto que essa admiração parecia ser um pouco maior do que o normal, talvez por ser um garoto negro que se destacava um tanto mais.

Porém antes que se possa dizer isso não é uma "crônica de um 'coitadinho'", talvez até o exato oposto, pois de certa forma eu "odeio" o sentimento de pena, só acredito que algumas pessoas esperavam esse tipo de atitude de destaque vindas de um garoto 'um pouco mais clarinho'.

Entretanto o problema não é nem esse, pois há algum tempo me perguntaram se eu já havia sofrido algum tipo de preconceito e um dos exemplos que mais gosto de citar é do tempo em que eu andava de bicicleta com mais frequência e levava sempre comigo uma mochila, que na maioria das vezes continha a chave do cadeado da bicicleta e minha carteira, vale ainda lembrar que nesse tempo ainda não era hábito as lojas possuírem câmeras de vigilância, logo a combinação "garoto negro 'mal vestido' + mochila nas costas" me garantia em algumas lojas um nível de atenção um tanto além do desejado, principalmente em uma papelaria de Capivari de Baixo, na qual se houvessem 5 atendentes na "casa", as 5 viriam 'solicitamente' perguntar se eu estava precisando de algum tipo de ajuda (tudo isso num espaço de uns poucos minutos), embora admita que possa parecer um tanto implicância minha, é preciso lembrar que nessa época eu tinha entre 12 e 14 anos, e dá pra imaginar o que isso faz na cabeça de uma criança/adolescente?

Sem contar as vezes em que vou em algumas lojas e realizo qualquer compra com um valor um pouco mais alto e ouço prontamente a pergunta:

- Você vai querer parcelar em quantas vezes?

(Acredito que não é algo tão comum de se ouvir antes de se dar qualquer indicação de qual modalidade de pagamento se deseja fazer.)

Para não dizer nas quantas vezes já ouvi:

- Sabe o Joãozinho? Ele é teu parente?

Diante de uma negativa, vem o fechamento "com chave de ouro":

- Mas como? Vocês são tão parecidos...

(Talvez a cor da pele fosse parecida.)
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