sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cores, matizes e contrastes

Eu particulamente não consigo acreditar no termo "politicamente correto", para mim soa como algo compulsório, como uma obrigação - um tanto desnecessária - a se seguir.
Quer dizer, quem me conhece - ou pára para olhar a minha foto - sabe que sou negro e que não tenho o menor problema com isso, aliás, já tive muitos, principalmente por culpa da infeliz coincidência de estudar em escolas nas quais quase sempre haviam duas pessoas negras na minha sala, (eu e mais alguém) - não que eu realmente acreditasse -  mas às vezes, e só às vezes, parecia que eu não fazia parte 'daquele grupo', era um elemento distoante, por mais que os colegas não tivessem nenhum tipo de ação para reforçar esse pensamento, era algo que eu trazia comigo.
Felizmente, hoje, entendi que existe um negócio chamado "oportunidade", sei que tive muitas facilidades que alguns outros negros não tiveram - facilidades essas que às vezes me prejudicam um tanto hoje em dia, mas isso não vem muito ao caso - o fato, é que eu sempre pude estudar em boas escolas, sempre fui incentivado a ir cada vez mais longe e desde sempre recebi em casa uma educação que posso chamar de exemplar.

Mas voltando à razão da postagem, acho de uma infelicidade sem tamanho todas estas regras de conduta impostas pela sociedade no trato com as pessoas, quer dizer, é claro que não gosto de ser chamado de "macaco" e outras coisas que se ouve por aí dos negros, entretanto, eu também detesto quando alguém olha pra mim e diz: "moreninho, vem aqui um instante...", afinal, eu não sou moreno, sou negro - artisticamente eu poderia dizer que existe uma gama enorme de cores entre o "moreninho" e o "negro".

Me assustei, inclusive, quando vi que havia um projeto para adequar as obras de Monteiro Lobato por possuir termos racistas, francamente, sejamos realistas, as obras dele datam da década de 20 até a de 40 do século XX, ou seja, o conceito de escravidão ainda estava entranhado na sociedade da época, pois a abolição era algo recente.
Sou contra, inclusive, às chamadas "cotas raciais" que fazem com que os estudantes negros, índios e outros sejam mais valorizados pela cor da pele do que pelo conhecimento que obtiveram ao longo da vida.

Acho muito digno que queiram diminuir alguns preconceitos ainda existentes, mas acho que forçar a população a acatar tais regras, não seja um bom caminho.

As pessoas acabam ficando com tanto medo na hora de se expressar que passam por situações absurdas como no dia em que fui preencher uma ficha de inscrição e a atendente - para ser respeitosa - olhou para mim e me perguntou qual era a minha raça, como se não fosse evidente, ainda me dei ao trabalho de responder: "não estou com muita cara de pardo hoje...", lógico, acabei fazendo uma brincadeira maldosa, mas é pelo fato de não conseguir entender o porquê disso, afinal, será que no Brasil é tão ruim ser negro?
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