domingo, 23 de julho de 2017

O calçado do outro

Não, você não sabe o que eu passei, pode até ter uma vaga noção, mas definitivamente você não sabe o que aconteceu durante a minha vida.
Sempre que me olhar, vai ter uma impressão, mas na maioria das vezes ela não vai condizer muito à realidade.

Sim, você saberá algumas coisas da minha vida, algumas porque você estava ao meu lado, outras porque alguém te contou de um jeito e algumas eu mesmo posso te contar.
Mas não, em hipótese alguma você saberá realmente o que já aconteceu e o que está acontecendo na minha vida.

Não preciso que você me analise, nem que me ensine o que é certo ou errado (já que felizmente meu caráter veio de uma excelente educação), isso não lhe compete, nem antes nem no futuro.

Por mais que você ache que sabe tudo da minha caminhada, você precisa entender que isso é impossível, infelizmente você não sabe o porquê de eu fazer algumas coisas que faço e porque eu reajo como reajo a alguns acontecimentos, sendo assim, eu só peço: antes de me julgar (e me condenar) pelas coisas que você sequer sabe, se coloque no meu lugar, calce meus sapatos e ande por onde eu já caminhei, quando você fizer tudo isso, aí sim terá argumentos para pensar algo sobre mim.

E acima de tudo: "na dúvida, pergunte!"

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Exepriência requerida

A principal saudade que eu tenho dos meus 16 ou 17 anos, é que existiam menos desculpas para tudo.

Quer dizer, eu tinha 17 anos e poderia escolher que empresa trabalhar ou qual profissão assumir, bastava enviar um currículo, me portar bem na entrevista e as coisas funcionavam, para praticamente qualquer área.

Isso não quer dizer que eu me considere melhor que os outros ou que eu deva ser contratado de imediato, mas hoje em dia, quando se procura emprego os empregadores já têm na 'ponta da língua' que não estão contratando por causa da crise, que a crise não deixa eles investirem em mais funcionários e outras desculpas.
Sim, eu não sou tão alienado, eu sei que existe uma crise econômica no Brasil e embora eu não esteja aqui para questionar as causas dela, eu gostaria de expor algumas das consequências.

Afinal, nunca tive muito problema para trabalhar, não acredito que nenhuma função - desde que devidamente legalizada - seja ultrajante, afinal, todo trabalho é trabalho, porém, esse 'advento de crise' gerou uma outra crise nas pessoas: a crise de caráter.

Há algum tempo atrás eu vi uma oferta de emprego para uma ação temporária na qual contratavam moças para fazer pipoca e uma das exigências era que a mesma enviasse duas fotos de rosto e de corpo para a empresa, quer dizer, não basta atender bem e saber fazer pipoca, a moça também precisa ser uma modelo para poder assumir a função.
Isso sem contar as diversas vagas para as quais eu me inscrevo e vejo que um dos requisitos dos empregadores é que se tenha domínio de um sistema X ou Y de gerenciamento.

Isso é ridículo, quer dizer, quando o sistema chegou na empresa alguém já tinha experiência com ele?

Ou seja, sob um pretexto de 'querer qualificar a mão de obra' as empresas colocam requisitos absurdos - ou improváveis - e continuam a oferecer remunerações baixas, isso não é 'dar oportunidade', é 'exercer o oportunismo'.

Eu tenho 25 anos, e depois de quase 10 anos atuando em uma mesma área, estava tentando mudar de profissão, mas hoje já estou considerando sorte conseguir uma profissão - em qualquer área que seja - se pra mim está difícil, eu não quero nem imaginar
quem tem mais de 40 ou 50 anos e passou a vida inteira trabalhando em um mesmo de setor de uma empresa.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Tempo

Às vezes só se precisa respirar, mas não do modo literal, às vezes é preciso 'dar um tempo das pessoas', isso não quer dizer exatamente se isolar quer sim, isso não significa um desejo de viver só para o resto da vida, talvez exatamente o contrário.

Eu, particularmente, acredito muito no poder das palavras e sei que assim como elas podem salvar vidas, podem também ter um efeito completamente contrário.

Acontece que em alguns momentos, vivemos sentimentos complexos demais e dizemos e fazemos coisas que poderíamos evitar ou pelo menos adiar, isso não é um incentivo à covardia, e sim o completo oposto.
É preciso que hajam momentos de loucura para que nossa vida seja completa, mas também, é preciso compreender quais as consequências que certas situações podem trazer para nossas vidas.

Pois existem situações que nós imaginamos e que outras pessoas não são capazes de vislumbrar, logo, existem duas escolhas: deixar o tempo passar e ver como as coisas se acertam ou tentar fazer com que as pessoas vejam o que nós estamos vendo, correndo o risco de criar um certo desgaste.
Devo confessar que nesse momento da minha vida, eu tenho criado desgastes apenas respirando isso é uma hipérbole demonstrativa, e tudo o que eu mais procuro é evitar desgastes com os quais eu precise agir ou reagir.

Sendo assim, para mim, muitas vezes, a solução mais prática é 'dar um tempo' de algumas pessoas que me trazem certas situações, o que em momento algum significa que eu tenha mudado qualquer bom pensamento à respeito dessas pessoas, e sim, que eu prefiro acalmar minha mente para evitar situações demasiado constrangedoras ou no mínimo desagradáveis.

Nada à nível pessoal, apenas negócios, até porque cuidar da minha saúde (principalmente a mental) é um 'negócio' no qual eu pretendo investir bastante.
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