sábado, 24 de dezembro de 2016

O que vai volta

É engraçado, eu guardo muita coisa, mas não como bagagem ou carga emocional em si, mas eu acabo guardando muitas das coisas que as pessoas me falam e me fazem, não para poder confrontá-las no futuro e sim 'para futura referência'.

Não considero que isso seja uma forma de guardar rancor, é apenas uma forma de poder pesar um pouco meus atos, afinal, sou alguém bastante impulsivo, embora muitas vezes tente me controlar, sei que boa parte das minhas decisões e escolhas são baseadas na aversão à pressão de escolher.

Sendo assim, eu tento reunir todas as informações possíveis para formular uma opinião ou decidir minha posição diante de várias coisas, o que acaba dando a impressão de que eu realmente guarde rancor de algumas pessoas.



Minha sensibilidade tem mais a ver com atitudes do que com palavras, mas isso não quer dizer que odiarei uma pessoa 'do nada', porém, em algumas situações eu acabo medindo 'o nível de comprometimento' das pessoas nas relações e consequentemente o grau de envolvimento que posso manter com elas, por exemplo:

"Tem dias em que você está com sérios problemas, mas alguém te manda uma mensagem dizendo que precisa de ajuda, então, você deixa de lado seus afazeres e tenta dar uma palavra de incentivo à pessoa ou até mesmo ajudá-la a resolver o problema, em contrapartida, quando você recorre à mesma pessoa para pedir ajuda, ela nunca está disponível, pois mesmo em 'tempos calmos' fica a sensação de que é difícil a pessoa tirar alguns minutos para pelo menos passar uma palavra de conforto."

É sentimentalismo puro, mas minha mente funciona assim: se eu 'conheço' a vida de alguém e peço ajuda quando sei que tudo está calmo e a pessoa não tem a mesma disponibilidade de quando ela está com problemas, simplesmente o meu 'nível de auxílio' se torna proporcional ao que a pessoa me oferece.

Entretanto, existem pessoas que você sabe que estão rodeadas de problemas mas que sempre têm um momento para ajudar, embora seja evidente que cada qual tenha o seu modo de lidar e resolver os problemas, é preciso que haja um equilíbrio, pois de nada adianta você só se fazer presente para pedir ajuda.

p.s.: Não é um fato específico, apenas um compilado de situações.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

"O melhor"

Se você quiser meu mal, torcerei para que você encontre a paz
Se você não quiser falar comigo, respeitarei seu silêncio
Se você quiser me machucar, ficarei esperando você se curar
Quando quiser me abraçar, te darei o abraço mais apertado que puder
Quando quiser chorar, secarei suas lágrimas e direi: 'estou aqui!'
Se quiser ir embora, não vou te impedir
Se não quiser me ver, você não mais me verá
Isso porquê a gente dá o que tem de melhor
Mesmo quando não nos oferecem "o melhor"
Alguns chamam isso de "burrice"
Eu prefiro chamar de "amor"

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Expectativa

Eu não espero mais nada da vida (isso não quer dizer que ela esteja ganha), só não crio mais expectativas, não faço os outros criarem expectativas. Não posso prometer a eternidade, mas garanto o momento.

Tento fazer aquilo que acho adequado para o momento, sem julgar se é "certo" ou "errado", aprendi bastante em casa sobre caráter e o meu se mantém o mesmo, independente do que se possa pensar ou falar.

Ainda sou o mesmo, mas aprendi muito com o que vi, o que fiz e principalmente com o que fizeram para mim, isso caleja a gente, nos faz aprender a lidar com várias situações e com alguns momentos difíceis.

Já quis ser perfeito, mas descobri que é impossível sê-lo, então, qual o problema de tentar ser eu mesmo? Qual o erro em tentar construir uma personalidade própria, ainda que ela procure não ter qualquer tipo de extremo, afinal, existe tanto problema assim em gostar do cinza ao invés de decidir pelo preto ou pelo branco? Eu preciso realmente tomar partido em tudo?

Dizem que quem quer seguir pela linha do meio não sabe o que quer da vida, será mesmo? Por mais que não saiba como, sei os caminhos que gostaria de passar, até porque o que me importa mais dessa estrada é a caminhada e não o destino já que o final será o mesmo para todos.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Amen

Eis que ouvindo Noemi, ao som da música que dá título à esta postagem surge a inspiração de querer abrir o coração novamente nesse meu amado 'diário virtual'.

E é estranho que a única coisa que me venha na cabeça - e no coração - seja uma pequena retrospectiva, não sei explicar aliás, estou em uma fase da minha vida em que já não sei explicar mais muita coisa.

Quase um semestre fora de casa com uma 'pausa estranha' de um mês como turista, amando cada vez mais o meu passado, minhas raízes, mas cada vez mais desejando 'lançar meus ramos' cada vez mais longe.

Amo de coração as minhas origens, morro de medo de ficar longe das pessoas que me me ensinaram um pouco muito sobre amor e respeito - em todos os sentidos - mas ao mesmo tempo sinto que 'essa fuga' foi algo necessário, para que eu pudesse aprender algumas coisas.

Embora a 'síndrome de Peter Pan' continue, ela agora divide o espaço com uma necessidade emocional, quase física de crescer, simplesmente crescer, não importa como, não importa exatamente a direção, apenas crescer, sair da inércia, alçar novos voos, conhecer outros horizontes - em toda a amplitude da expressão.

É difícil crescer à sombra de uma árvore que sempre atraiu a atenção de todos e que depois de um tempo já não está mais onde sempre esteve, é difícil estar sempre à sombra, mas é mais difícil ainda enfrentar a luz 'de frente', tendo de entender a cada dia que a proteção, o abrigo se foram.

Na verdade é difícil crescer, ninguém nunca tinha me dito isso, aliás, muito me disseram, mas pouco me explicaram como era.

A retrospectiva se passou dentro da minha cabeça, nos minutos em que esta postagem foi escrita, milhares de momentos passaram pela minha memória, coisas das quais me orgulho em ter feito/pensado e coisas das quais eu simplesmente nunca queria ter vivido.

Como a 'Terra do Nunca' não é o meu destino mais provável, acho que é preciso dizer um 'assim seja' para a vida e enfrentar o que me espera nos próximos capítulos dessa história.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A cruz

Dizem os antigos que "cada um só recebe a cruz que pode carregar", ou seja, "você apenas recebe da vida as dores que é capaz de suportar".

O curioso é que por mais que a minha mente tenha bloqueado durante anos a lembrança, eu já vivi essa expressão por duas vezes, ambas no mesmo ano, uma de maneira literal e outra de maneira simbólica - e posso confessar que ambas foram muito dolorosas.

O ano era 2008, eu estava muito feliz pela partida de um grande amigo que havia conseguido um bom emprego - imagino eu - e estava deixando a cidade para seguir sua vida, contudo, uma das suas atribuições anteriores era a de coordenador de grupo de jovens, função esta que o mesmo me delegou pelo motivo acima descrito - talvez aí estivesse começando o meu calvário.

Devo confessar que aos 17 anos, eu não era uma das pessoas mais responsáveis do mundo, - e de certa forma continuo não o sendo por mais que agora eu saiba o que eu preciso fazer na vida - eu possuía uma visão de mundo muito inocente, - para não dizer infantil - porém, precisaria assumir responsabilidades e levar à frente um grupo de jovens e assumir todas as implicações do cargo.

Uma delas, - embora não tão obrigatória assim - era a organização de um teatro na época da Páscoa - algo bem comum diga-se de passagem - porém, nesse ano a ideia era um pouco mais diferente, o objetivo era encenar as últimas horas de Jesus, desde sua condenação até sua morte.

Dentre todos os envolvidos no grupo, - sinceramente não por qual critério - ficou definido que eu representaria Jesus nesta encenação, sendo então obrigado a caminhar um trecho de cerca de um quilômetro levando uma cruz de madeira nas costas.

Não sou capaz de descrever o misto de sentimentos trazidos por uma experiência como esta, ainda mais para quem tem um problema bastante sério com energias, - ao ponto de precisar gritar para 'eliminar o peso' de algumas cenas interpretadas - some-se a isso uma história já bastante triste e para piorar, uma mãe bastante sensitiva.

Parece que de alguma forma estranha certas coisas se combinam, pois no início da encenação era uma tarde ensolarada, porém, quanto mais se aproximava 'a crucificação' o céu ia escurecendo, chegando ao ponto de caírem algumas gotas de chuva quando 'eu estava sendo crucificado'.

Impossível descrever a dor de estar preso em uma cruz - realmente com dor física, afinal, um quilômetro de caminhada pode ser pouco mas imagine uma procissão, ou seja, com doze paradas no caminho, inclua uma cruz de madeira que embora no principio estivesse leve fosse 'ganhando um quilo a cada dez metros' além, é claro do fator emocional - somado a tudo isso a dor de ver sua mãe sofrendo como Maria, vivendo aquilo como se fosse algo real e chorando o pesar de ver seu filho numa posição tão incômoda.

Embora à época eu não tivesse a noção da profundidade deste evento na minha vida, o tempo se encarregou de mostrar o significado de cada uma das coisas que eu vi nesse dia, coisas que eu nem me lembro com tantos detalhes visuais, mas sinto muito fortes quando paro para pensar em tudo o que aconteceu nessa tarde.

 Por mais que para muitos jovens/adolescentes o ano da sua formatura seja um ano especial, o meu ano de formatura foi - talvez disparado - o pior ano que eu tive até os dias atuais por tudo o que aconteceu.

Talvez a dor vivida pela minha mãe ao assistir a um filho sendo crucificado - por mais que tenha sido em uma encenação - tenha sido uma forma de prepará-la para assistir 'a outra crucificação' que aconteceria no mesmo ano, muito mais dolorosa e dessa vez sem qualquer tipo de encenação.


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