quinta-feira, 7 de junho de 2012

As diferenças entre "o nosso" e "o deles"

Desde criança estudei em escolas públicas, nunca tinha conhecido [de verdade] uma escola particular 'por dentro' até que uma das minhas experiências profissionais me colocou dentro de uma das principais instituições privadas do Brasil e é de lá que tiro muitas das ideias que exponho nesta postagem.

Sempre achei interessante [para não dizer revoltante] o modo como alguns dos meus colegas tratavam a estrutura do meu 'colégio de infância', o descaso que muitos tinham com carteiras, cadeiras e até mesmo as paredes do prédio, prédio esse que na época em que eu estudava lá já contava com seus 50 anos de construção.
Nos idos do ano de 2010, pela primeira vez vi como funcionava por dentro uma 'escola particular', apesar de estar numa unidade 'mais modesta' e trabalhar com cursos gratuitos, pude comprovar algumas das diferenças entre as escolas públicas e privadas.
Cabe ressaltar que na unidade onde eu trabalhava boa parte dos alunos faziam o ensino médio em instituições públicas, realmente não sei como eles agiam lá (na escola pública), mas quando vinham fazer o curso (na instituição privada) tinham maior zelo pelos equipamentos e pelas estruturas da instituição [claro, existiam também as maçãs podres], mas boa parte deles respeitavam a estrutura que lhes era oferecida.
Já em 2012, meu destino profissional me levou a trabalhar em uma instituição pública e para minha surpresa, ainda encontrei alunos com o mesmo comportamento [desagradável] de alguns dos ex-companheiros da minha primeira escola, ou seja, carteiras sendo depredadas, mesas riscadas e outras coisas mais.

Mas o que parece mais estranho é que sempre que o brasileiro ouve falar que algo é público, ele pensa que ninguém vai pagar por qualquer dano que ocorra nesse ambiente, quando é muito pelo contrário...
É como se o brasileiro muitas vezes não desse o minimo valor para aquilo que está sendo ofertado para ele 'de graça' ou à preço baixo e que para que algo possa ser digno de respeito tenha de ser pago.

Canso de ver banheiros riscados, quebrados e até sujos de maneiras inimagináveis e tudo isso pra quê?
Pra demonstrar que o que é público tem de ser mantido sempre em péssimas condições?

Não adianta dizer que ônibus são ruins e começar a riscá-los, não adianta dizer que as escolas particulares têm mais benefícios, prédios bonitos, computadores de último tipo se insistimos em ficar feito animais destruindo estruturas que muitas vezes já são bastante precárias.

O que acontece é que desde as primeiras postagens critiquei os políticos quando vi situações em que eles agiam fora de conformidade e assim faço agora com o resto da população ou será que é tão difícil compreender que quanto mais depredamos aquilo que é nosso, mais damos razão para os nossos 'amados' políticos se fingirem de bonzinhos realizando reparos e reconstruções em patrimônios que deveriam durar por anos?

Fica a pergunta.




domingo, 3 de junho de 2012

[re]Formando [pre]Conceitos

Um mês e meio afastado do blog mas todo dia tendo ideias de textos, é uma sensação um tanto estranha, até por que meu afastamento não vem de razões muito felizes: pra me ajudar, o meu HD (o mesmo desta postagem) deu problema, ou seja, perdi boa parte dos meus arquivos (inclusive os textos mais antigos) e outra razão é a que me motiva para esta postagem.

Acontece que há uns dias atrás acabei tendo o meu celular roubado no centro de Tubarão, se isso já não fosse incrível, ainda fui roubado por dois "dimenor".
Já comentei o quanto acho injusto o tratamento dado privilegiando os menores infratores, mas não é neste ponto que eu quero enforcar nesse texto, quero tocar num assunto um pouco mais profundo.

Não sei se deu para notar, eu sou negro [momento piada sem graça] e se tem uma coisa que eu sempre aprendi na vida é que eu deveria estudar para ser o melhor que eu pudesse, e assim o faço, sempre tento dar o meu melhor ou ser o melhor, sempre aprendi que a vida para um negro não era fácil.
Pode até parecer drama exagerado, mas não é, se um dia eu me dispus a tentar tirar dez em todos os trabalhos que eu fazia na escola, não foi à toa.
Voltando ao assunto do roubo, meus dois assaltantes, assim como eu, eram negros (em nenhum momento vou discutir ou questionar motivação), mas acontece que naquele momento mais do que o trauma de sofrer uma ameaça e perder um bem material, eu me senti mais ferido ainda por ser assaltado por dois garotos negros (regulando talvez seus 15 ou 16 anos), se fossem brancos seria diferente? Não. Mas acho que seria menos doloroso.

Afinal, por quê doloroso?

Lógico, não sou nenhum expoente da cultura negra nem nada muito próximo, sou apenas um alguém normal tentando conquistar meu espaço por meio do meu esforço, talvez por isso até algumas vezes acabe representando ser um tanto orgulhoso e arrogante.
Sim, tive alguns privilégios que talvez esses garotos não tenham tido, nasci numa boa família, com condições de estudar e tudo o mais, mas tantos outros também o tiveram e preferiram uma 'vida mais fácil'.
Essa situação me deu um sentimento de impotência, me fez quase acreditar que não importa o quanto eu estude, mesmo que um dia eu seja um Mestre, um Doutor eu não vou conseguir tirar essa mancha que persegue a todos com uma origem mais humilde ou que tenham um tom de pele mais escuro.

Não é difícil notar, vivemos num país burramente racista, já que dificilmente existe hoje em dia um brasileiro de origem 100% caucasiana, logo, ter preconceito é uma forma de tentar repudiar uma parte de si mesmo [algo que os brasileiros adoram fazer].
Ou qualquer negro que leia esse texto pode dizer que nunca foi 'perseguido' dentro de uma loja por um vendedor para fiscalizar o que você 'iria roubar' ou que nunca ficou 'engalhado' no quesito "boa aparência" de uma entrevista de emprego?

Até a televisão não me deixa mentir: quantos protagonistas negros você encontra nas novelas que vê todos os dias? Quantos apresentadores negros você vê apresentando programas que não sejam sobre 'cultura negra'?


Não quero dizer que os 'coitados' dos negros são perseguidos, não, esse negócio de vítima não é comigo, só quero mostrar que se não somos capazes de enxergar que debaixo de alguns quilos de pele existem indivíduos absolutamente iguais, jamais seremos capazes de ter orgulho do país que vivemos.
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