sábado, 19 de novembro de 2011

Pobreza

É interessante que quando você começa a trabalhar com pessoas, você começa a conhecer algumas qualidades (presentes em muitas) e sem dúvidas, muitos defeitos.
Talvez um dos piores que eu encontrei foi essa tal de "pobreza", mas não é nem da pobreza no sentido monetário -que pra mim não é um defeito, e sim uma condição- a pobreza de que falo é algo que pode ser chamado de 'pobreza de espírito', como uma especie de mesquinharia.

Trabalhando em um parque você vê o quanto alguns pais se tornam reféns das vontades dos filhos, até aí tudo bem, o problema é quando esses pais vêm com um espírito de 'donos da razão' e falam pra que você não cobre a entrada da 'criança dele' no brinquedo, isso é o que eu acho um tanto ridículo.
Afinal, os preços estão ali, não é quem atende que os faz, quem atende tem apenas a função de cobrar, colocar a criança no brinquedo e vigiar para que nada aconteça.

E mais, o que tal criança tem de tão especial para ter o direito de entrar de graça em um brinquedo que todas as outras tiveram de pagar?
Qual a diferenciação dessa criança?

Nunca escondi de ninguém o meu 'lado pão-duro', entretanto, sei que se os preços estão ali -por mais injustos que possam parecer- não sou capaz de pedir para que 'não me cobrem dessa vez', acho isso uma ação triste...

E o agravante é que esses pais não eram pessoas tão necessitadas assim, eram pessoas que aparentavam um bom 'nível financeiro', aliás, os pais 'menos abastados' eram os que menos 'choravam' pelo preço dos brinquedos, simplesmente perguntavam e se podiam pagar, pagavam sem drama. -isso é que era o mais curioso-

Mas será que os pais acham que é uma boa atitude diante dos filhos essa de 'choramingar' por dois ou três reais que eles muito bem podiam pagar?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Lula, o Facebook e o SUS

Essa semana para os noticiários foi marcada como a semana da descoberta de um câncer malígno na laringe do ex-presidente do Brasil Luiz Inácio da Silva, o assunto rondou os jornais, os telejornais e como não podia ser diferente também habitou as redes sociais.
Acabou chegando ao Facebook e de uma maneira - considero eu - um tanto engraçada, já que chegou ao meu conhecimento um 'protesto' pedindo que Lula fizesse seu tratamento pelo SUS.

Eu sinceramente ri muito no primeiro momento que vi esse 'protesto', pois encarei como brincadeira, entretanto, vi que alguns colegas do Facebook acharam uma ideia bastante ofensiva e assim como os simpatizantes difundiram tal protesto, os contrários repassaram uma réplica.

Só que nessa semana não foi só o nosso ex-presidente que 'ficou doente', também eu precisei de atendimento médico e desse modo pude conferir a diferença do público para o particular.

Realmente o abismo é muito grande, a diferença é gritante, pois num primeiro momento, fui no hospital da cidade vizinha que atende a população de toda a região e sinceramente, me senti mais doente ainda, fazia um bom tempo que eu não via uma fila de pronto socorro público - e particularmente prentendo não ter de ver de novo tão cedo - afinal, as pessoas realmente 'tinham cara de doentes' - OK, sei que é isso que se encontra em um hospital, mas não imaginava ver pessoas com expressões de tanto sofrimento e um clima tão pesado no ar - pra piorar a situação, eu cheguei lá às 16:00 horas, já passavam das 17:30 e nada, enquanto eu ouvia pessoas dizerem que já estavam esperando desde às 14:00, pois tinha apenas um médico para atender umas 15 pessoas.
Resultado: desisti e fui para o pronto atendimento da minha cidade - afinal, só teria gente daqui - realmente, tinha pouca gente esperando, entretanto, o diagnóstico durou cerca de dois minutos - pode me chamar de 'reclamão', mas acho que em dois minutos não dá pra se ver muita coisa - achei algo muito superficial, algo que não me bastou*.

Dois dias depois, ainda doente, volto a me consultar, dessa vez em uma clínica particular e a grande diferença: a espera foi bem menor, a atenção ao problema também pareceu maior e a tentativa de diagnóstico bem mais convincente.

Lógico que existem alguns 'parênteses':

- Se fosse um caso muito grave eu teria sido antendido um pouco mais rápido na fila do SUS;
- Não reclamo de quem me atendeu na minha cidade, apenas achei um diagnóstico muito rápido.

O governo justificava a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) - nome pequeno [risos] - como um imposto necessário para a manutenção dos serviços de saúde,  entretanto, a saúde pública no Brasil sempre foi uma 'calamidade pública' e CPMF pouco ajudou pra melhorar**, com a sua extinção o governo continua acreditando que precisa de um imposto equivalente para fomentar a saúde no País. - o que eu acredito que não ia servir pra absolutamente nada -

Mas voltando ao Lula, acredito que ele até teria um tratamento relativamente bom no SUS, mas só por ser o Lula, se fosse qualquer metalúrgico Luiz da Silva acho que não teria a mesma sorte...

Pessoalmente, acredito que se o Lula chegou onde chegou - politica e financeiramente - foi por esforço - (sem julgamento de caráter) porque até pra roubar se exige um certo esforço - e se ele sabe o perigo que seria se tratar no SUS algo tão grave como um câncer, que use seu plano de saúde particular, espero sinceramente que ele melhore e espero mais ainda que a 'saúde da saúde pública' melhore muito mais.


*Não difundindo a ideia de que diagnóstico bom é demorado.
**Eu sei que não funciona por causa dos 'desvios' até chegar no destino'.
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